MANDIC: Aplicativo UNIVERSITÁRIO
Transformando um app problemático em uma experiência acadêmica mais clara e criando espaço para UX dentro da organização.
O redesign foi precedido por uma mudança mais estrutural: a introdução de UX como prática estratégica dentro da instituição.
resultado:
Redesign completo do aplicativo oficial da Mandic atingiu 100% de satisfação nos testes de usabilidade, em um app com histórico de reclamações e baixa adesão.
01 · Contexto e desafio
O problema não começava no app
A Faculdade Mandic precisava de um canal digital confiável para conectar alunos, professores e instituição.
O aplicativo deveria concentrar atividades acadêmicas recorrentes, mas a experiência acumulava reclamações: era percebida como pesada, confusa e inconsistente, e algumas tarefas básicas exigiam que o aluno recorresse ao navegador.
Uma avaliação publicada por usuário antes do redesign resume bem o problema: o app tinha funções relevantes, mas elas não funcionavam de forma confiável para acompanhar a vida acadêmica.
Mas havia um problema anterior ao produto: UX ainda não existia como prática estruturada dentro da Mandic. Design era predominantemente associado à interface, enquanto decisões de produto eram tomadas a partir de demandas pontuais.
Portanto, redesenhar telas não seria suficiente.
02 · O problema
Como redesenhar um produto crítico quando o problema não está apenas na interface, mas também na forma como a organização toma decisões de produto?
— Hierarquia
Informações importantes competiam entre si e o aluno não sabia o que priorizar.
— Fluxos
Comunicados, documentos e conteúdos pedagógicos estavam fragmentados.
— Consistência
Ícones, tipografia e padrões visuais variavam ao longo da experiência.
— Linguagem
A comunicação era técnica e burocrática para um público majoritariamente jovem.
Esses pontos vieram da análise heurística, entrevistas com alunos e dados de Growth e CX.
Além do app, atuei nos produtos: site institucional, intranet, portal do aluno e portal do professor, mas o redesign do aplicativo foi o projeto de maior visibilidade e impacto direto com o usuário final.
03 · Meu papel
Fui contratada para fazer design, mas meu primeiro entregável foi cultural: introduzir UX como disciplina estratégica dentro da instituição. Só depois disso assumi o redesign do app.
Além do aplicativo, atuei em outros produtos digitais da instituição:
- site;
- intranet;
- portal do aluno;
- portal do professor.
Minha responsabilidade:
Research
·
Diagnóstico
·
Arquitetura
·
Prototipação
·
Validação
·
Alinhamento com tecnologia e negócio
04 · Investigação
Antes de desenhar, precisei entender por que o produto estava falhando.
01 — Avaliação heurística
Analisei o aplicativo existente e mapeei aproximadamente 40 problemas críticos de usabilidade e acessibilidade.
O que isso revelou?
A quantidade de problemas não apontava para ajustes pontuais. Indicava uma falha estrutural de organização da experiência.
02 — Entrevistas com alunos
Conversei com alunos de:
- Odontologia
- Medicina
- Pós-graduação
considerando diferentes idades e campi.
O que isso revelou?
As necessidades variavam entre perfis, mas os principais atritos se repetiam em torno de encontrar informação, acompanhar atividades e entender onde cada função estava.
03 — Dados de CX
A equipe de CX trouxe chamados recorrentes dos alunos.
O que isso revelou?
O problema não era apenas percepção estética. Havia tarefas básicas que estavam gerando demanda operacional.
05 · Diagnóstico
O problema não era “um app ruim”.
Era uma experiência construída sem uma arquitetura clara de prioridades. A investigação mostrou que os problemas estavam conectados:
Arquitetura fraca
↓
navegação pouco previsível
↓
dificuldade para encontrar funções
↓
frustração
↓
mais chamados para CX
Portanto, o redesign não começou pela UI.
Começou pela arquitetura da experiência.

06 · Decisões
01 — Começar pela cultura antes da interface
Antes de redesenhar o produto, conduzi workshops com desenvolvimento, PO, CX e gestores para alinhar o papel de UX e reduzir retrabalho.
Por quê?
Porque um redesign sem adesão interna poderia ser parcialmente implementado ou abandonado diante das pressões do ciclo de produto.
Decisão: criar aliados antes de criar telas.
02 — Reorganizar a arquitetura antes do visual
Em vez de simplesmente modernizar a interface existente, reconstruímos a arquitetura de informação a partir das necessidades e comportamentos identificados.
Princípios:
Priorizar uso recorrente
reduzir dispersão
unificar linguagem
facilitar acesso às informações acadêmicas
Aqui eu colocaria um grande ANTES → ARQUITETURA → DEPOIS.
Esse é o tipo de artefato que prova seu pensamento.
03 — Acessibilidade como critério de produto
A paleta foi testada com usuários daltônicos.
O resultado ajudou a validar a escolha de uma paleta com contraste adequado e criou um precedente para tratar acessibilidade como critério permanente no processo de design.
Isso é melhor apresentado como:
Decisão → evidência → consequência
Não como “também fiz acessibilidade”.
07 · A solução
01. Arquitetura de informação
Mostrar:
antes → reorganização → depois
02. Navegação
Mostrar:
antiga navegação → nova navegação
03. Home
Mostrar a tela inteira, grande.
E colocar 2–3 callouts:
01 prioridade
02 acesso rápido
03 resumo acadêmico
04. Funcionalidades
Mostrar:
comunicados.
calendário;
frequência;
notas;
atividades;
08 · VALIDAÇÃO
A solução precisava funcionar fora do Figma.
Testamos o protótipo com alunos de perfis distintos para avaliar:
- clareza da navegação;
- prioridade das funcionalidades;
- compreensão da linguagem;
- satisfação geral.
Os resultados foram usados para refinar a solução antes da implementação.
10 · O que mudou além do app
O projeto não terminou no redesign.
O trabalho abriu espaço para atuação estratégica de UX nos demais produtos digitais da instituição.
O resultado mais importante, portanto, não foi apenas uma nova interface.
Foi a criação de uma estrutura para que decisões de experiência passassem a fazer parte do processo de produto.
Meu principal aprendizado
Quando UX ainda não existe como prática, o primeiro produto a ser desenhado é o próprio processo de decisão.
No redesign da Mandic, isso significou criar alinhamento, gerar evidências e construir confiança antes de propor a solução.
A interface foi consequência.
