MANDIC: Aplicativo UNIVERSITÁRIO

Transformando um app problemático em uma experiência acadêmica mais clara e criando espaço para UX dentro da organização.

O redesign foi precedido por uma mudança mais estrutural: a introdução de UX como prática estratégica dentro da instituição.

Faculdade Mandic · Product Designer · 2023–2024
Setor: EdTech · Saúde · Produto interno B2C
Time: 1 designer (eu) + time de tecnologia (devs + PO + PM) + CX
Duração: ~6 meses de redesign + atuação mais ampla na instituição
Ferramentas: Figma · Miro · Forms para pesquisa qualitativa
resultado:

Redesign completo do aplicativo oficial da Mandic atingiu 100% de satisfação nos testes de usabilidade, em um app com histórico de reclamações e baixa adesão.

01 · Contexto e desafio

O problema não começava no app

A Faculdade Mandic precisava de um canal digital confiável para conectar alunos, professores e instituição.

O aplicativo deveria concentrar atividades acadêmicas recorrentes, mas a experiência acumulava reclamações: era percebida como pesada, confusa e inconsistente, e algumas tarefas básicas exigiam que o aluno recorresse ao navegador.

Uma avaliação publicada por usuário antes do redesign resume bem o problema: o app tinha funções relevantes, mas elas não funcionavam de forma confiável para acompanhar a vida acadêmica.

Mas havia um problema anterior ao produto: UX ainda não existia como prática estruturada dentro da Mandic. Design era predominantemente associado à interface, enquanto decisões de produto eram tomadas a partir de demandas pontuais.

Portanto, redesenhar telas não seria suficiente.

02 · O problema

Como redesenhar um produto crítico quando o problema não está apenas na interface, mas também na forma como a organização toma decisões de produto?

— Hierarquia
Informações importantes competiam entre si e o aluno não sabia o que priorizar.

— Fluxos
Comunicados, documentos e conteúdos pedagógicos estavam fragmentados.

— Consistência
Ícones, tipografia e padrões visuais variavam ao longo da experiência.

— Linguagem
A comunicação era técnica e burocrática para um público majoritariamente jovem.
Esses pontos vieram da análise heurística, entrevistas com alunos e dados de Growth e CX.

Além do app, atuei nos produtos: site institucional, intranet, portal do aluno e portal do professor, mas o redesign do aplicativo foi o projeto de maior visibilidade e impacto direto com o usuário final.

03 · Meu papel

Fui contratada para fazer design, mas meu primeiro entregável foi cultural: introduzir UX como disciplina estratégica dentro da instituição. Só depois disso assumi o redesign do app.

Além do aplicativo, atuei em outros produtos digitais da instituição:

  • site;
  • intranet;
  • portal do aluno;
  • portal do professor.

Minha responsabilidade:

Research

·

Diagnóstico

·

Arquitetura

·

Prototipação

·

Validação

·

Alinhamento com tecnologia e negócio

04 · Investigação

Antes de desenhar, precisei entender por que o produto estava falhando.

01 — Avaliação heurística

Analisei o aplicativo existente e mapeei aproximadamente 40 problemas críticos de usabilidade e acessibilidade.

O que isso revelou?

A quantidade de problemas não apontava para ajustes pontuais. Indicava uma falha estrutural de organização da experiência.


02 — Entrevistas com alunos

Conversei com alunos de:

  • Odontologia
  • Medicina
  • Pós-graduação

considerando diferentes idades e campi.

O que isso revelou?

As necessidades variavam entre perfis, mas os principais atritos se repetiam em torno de encontrar informação, acompanhar atividades e entender onde cada função estava.


03 — Dados de CX

A equipe de CX trouxe chamados recorrentes dos alunos.

O que isso revelou?

O problema não era apenas percepção estética. Havia tarefas básicas que estavam gerando demanda operacional.

05 · Diagnóstico

O problema não era “um app ruim”.

Era uma experiência construída sem uma arquitetura clara de prioridades. A investigação mostrou que os problemas estavam conectados:

Arquitetura fraca
↓
navegação pouco previsível
↓
dificuldade para encontrar funções
↓
frustração
↓
mais chamados para CX

Portanto, o redesign não começou pela UI.

Começou pela arquitetura da experiência.

06 · Decisões

01 — Começar pela cultura antes da interface

Antes de redesenhar o produto, conduzi workshops com desenvolvimento, PO, CX e gestores para alinhar o papel de UX e reduzir retrabalho.

Por quê?

Porque um redesign sem adesão interna poderia ser parcialmente implementado ou abandonado diante das pressões do ciclo de produto.

Decisão: criar aliados antes de criar telas.


02 — Reorganizar a arquitetura antes do visual

Em vez de simplesmente modernizar a interface existente, reconstruímos a arquitetura de informação a partir das necessidades e comportamentos identificados.

Princípios:

Priorizar uso recorrente
reduzir dispersão
unificar linguagem
facilitar acesso às informações acadêmicas

Aqui eu colocaria um grande ANTES → ARQUITETURA → DEPOIS.

Esse é o tipo de artefato que prova seu pensamento.


03 — Acessibilidade como critério de produto

A paleta foi testada com usuários daltônicos.

O resultado ajudou a validar a escolha de uma paleta com contraste adequado e criou um precedente para tratar acessibilidade como critério permanente no processo de design.

Isso é melhor apresentado como:

Decisão → evidência → consequência

Não como “também fiz acessibilidade”.

07 · A solução

01. Arquitetura de informação

Mostrar:

antes → reorganização → depois

02. Navegação

Mostrar:

antiga navegação → nova navegação

03. Home

Mostrar a tela inteira, grande.

E colocar 2–3 callouts:

01 prioridade
02 acesso rápido
03 resumo acadêmico

04. Funcionalidades

Mostrar:

comunicados.

calendário;

frequência;

notas;

atividades;

08 · VALIDAÇÃO

A solução precisava funcionar fora do Figma.

Testamos o protótipo com alunos de perfis distintos para avaliar:

  • clareza da navegação;
  • prioridade das funcionalidades;
  • compreensão da linguagem;
  • satisfação geral.

Os resultados foram usados para refinar a solução antes da implementação.

09 · Resultados

10 · O que mudou além do app

O projeto não terminou no redesign.

O trabalho abriu espaço para atuação estratégica de UX nos demais produtos digitais da instituição.

O resultado mais importante, portanto, não foi apenas uma nova interface.

Foi a criação de uma estrutura para que decisões de experiência passassem a fazer parte do processo de produto.

Meu principal aprendizado

Quando UX ainda não existe como prática, o primeiro produto a ser desenhado é o próprio processo de decisão.
No redesign da Mandic, isso significou criar alinhamento, gerar evidências e construir confiança antes de propor a solução.
A interface foi consequência.

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