Embraer: dashboard para chão de fábrica
resultado:
Primeiro dashboard centralizado de leitura de dispositivos IoT da Embraer de dados fragmentados em dispositivos individuais para uma interface operacional acessível a todos os perfis do chão de fábrica.
01 · Contexto e desafio
A Embraer opera um dos ambientes industriais mais complexos do Brasil: maquinário de alta precisão, equipes multidisciplinares e dados críticos gerados em tempo real por centenas de dispositivos IoT distribuídos na linha de produção. Antes deste projeto, esses dados existiam em silos — cada máquina exigia leitura técnica individual, dispositivo a dispositivo, por profissionais especializados.
Com a pandemia acelerando a transformação digital, a empresa decidiu centralizar essas informações em dashboards acessíveis — reduzindo dependência de especialistas e permitindo decisões mais rápidas sobre manutenção preditiva.
O desafio de UX era projetar uma interface que tornasse dados industriais complexos legíveis e acionáveis para perfis com níveis técnicos muito distintos — do engenheiro de dados ao operador do chão de fábrica.
02 · Meu papel
Atuei como UX Designer responsável por pesquisa, diagnóstico heurístico, benchmarking, especificação de boas práticas para visualização de dados e prototipagem de alta fidelidade. Fui a ponte entre as necessidades dos usuários operacionais e as decisões de produto da equipe técnica.
03 · Processo
Discovery Compilei um relatório de boas práticas em UX aplicadas a dashboards industriais e sistemas de visualização de dados complexos, baseado em literatura especializada e casos internacionais. Realizei benchmarking comparando o Smart Factory (nome interno do sistema) com plataformas similares no mercado, identificando padrões de sucesso e gaps. Em paralelo, produzi um relatório de tendências de UX/UI para sistemas de dado denso — apresentado para as partes interessadas como guia de visão de produto.
Diagnóstico Análise heurística da proposta inicial revelou três problemas críticos:
- Inconsistência de elementos: variações em botões, ícones e padrões visuais sem sistema definido
- Ausência de feedback de status: usuários não conseguiam identificar o estado das operações em tempo real — crítico num ambiente de manufatura
- Jargão excessivo: termos técnicos em inglês e linguagem especializada criavam barreira para perfis menos técnicos
Solução Propus um guideline de design que unificou todos os elementos visuais (ícones, botões, hierarquia de dados), com ênfase em feedback de status claro e linguagem simplificada e localizada. O protótipo de alta fidelidade foi desenvolvido com foco em densidade de informação legível — equilíbrio entre completude dos dados e clareza visual.
Validação O protótipo navegável foi usado em testes de usabilidade com participantes de diferentes perfis técnicos, incluindo usuários daltônicos para validação de paleta. O feedback orientou refinamentos antes do handoff para desenvolvimento.
04 · Decisões-chave
1. Criar o relatório de boas práticas antes de qualquer tela Em vez de começar com wireframes, propus sistematizar o conhecimento existente sobre visualização de dados industriais. Esse entregável se tornou referência interna para o time de produto e criou alinhamento sobre princípios antes das discussões sobre interface — reduzindo revisões e disputas subjetivas.
2. Priorizar feedback de estado como funcionalidade crítica Num sistema de monitoramento industrial, a ausência de feedback visual sobre o estado das máquinas não é um problema de usabilidade — é um risco operacional. Defender essa prioridade junto ao PM foi uma decisão que expandiu o escopo inicial do projeto de forma justificada.
3. Simplificar linguagem como critério de acessibilidade A localização dos termos técnicos para português e linguagem acessível foi tratada como requisito de design inclusivo, não como preferência. Em ambientes onde a interface precisa ser operada sob pressão e tempo restrito, linguagem clara é tão crítica quanto hierarquia visual.
05 · Resultados
Quantitativos:
- Primeiro sistema centralizado de visualização IoT da empresa — eliminação da dependência de leitura dispositivo a dispositivo
- Usuários completaram tarefas em menor tempo na comparação entre protótipo e sistema anterior (medido em testes de usabilidade)
Qualitativos:
- Interface operacional acessível para múltiplos perfis técnicos — do engenheiro ao operador
- Aumento de satisfação relatado pelos participantes dos testes: interface mais limpa, coesa e compreensível
- Guideline de visualização de dados entregue como ativo reutilizável para futuros produtos internos
- Handoff documentado com fluxo de projeto, design system aplicado e apresentação para stakeholders

06 · Aprendizados
Design para ambientes industriais exige uma camada adicional de rigor: cada elemento precisa funcionar sob condições adversas (luminosidade, pressão de tempo, diversidade técnica dos usuários). Esse projeto reforçou minha convicção de que acessibilidade e clareza não são “bônus”, são a interface em si.
