MANDIC: APP UNIVERSITÁRIO
UX e Transformação Digital na Mandic: Redesign do App Oficial
resultado:
Redesign completo do aplicativo oficial da Mandic atingiu 100% de satisfação nos testes de usabilidade, em um app com histórico de reclamações e baixa adesão.
01 · Contexto e desafio
A Faculdade Mandic é referência nacional em Odontologia e Medicina, com múltiplos campi e uma base de alunos geograficamente distribuída. O app oficial era o canal digital mais crítico para comunicação entre a instituição, seus alunos e professores — e estava falhando nessa função.
O produto recebia reclamações constantes: era pesado, confuso, inconsistente visualmente e não resolvia as necessidades básicas do dia a dia acadêmico. Mais grave: esse atrito digital afetava a percepção dos alunos sobre a qualidade da instituição como um todo.
Mas o problema real ia além do app. UX não existia como prática na Mandic. Design era tratado como estética, e as decisões de produto eram tomadas por urgência e demanda isolada.
02 · Meu papel
Fui contratada para fazer design, mas meu primeiro entregável foi cultural: introduzir UX como disciplina estratégica dentro da instituição. Só depois disso assumi o redesign do app.
Além do app, atuei nos produtos: site institucional, intranet, portal do aluno e portal do professor, mas o redesign do aplicativo foi o projeto de maior visibilidade e impacto direto com o usuário final.
03 · Processo
Discovery Conduzi análise heurística do app existente, que gerou um relatório com aproximadamente 40 problemas críticos de usabilidade e acessibilidade. Em paralelo, realizei entrevistas qualitativas com alunos de cursos diferentes (Odontologia, Medicina e pós-graduações), idades variadas e campi distintos para capturar a diversidade real de uso. A equipe de CX foi parceira fundamental — trouxe dados de chamados recorrentes que mapearam as dores operacionais.

Diagnóstico Quatro problemas estruturais definiam a má experiência:
- Hierarquia de informação inexistente — o aluno não sabia o que priorizar na navegação
- Fluxos quebrados entre comunicados, documentos e conteúdo pedagógico
- Inconsistência visual severa (ícones, tipografia, padrões de cor)
- Linguagem técnica e burocrática inacessível para o público jovem
Solução O redesign partiu de uma nova arquitetura de informação, não de novas telas. Reconstruímos o app do zero com base no que os alunos realmente acessavam. As diretrizes foram: unificar linguagem com os demais produtos digitais da Mandic, priorizar funcionalidades de uso diário, melhorar a comunicação CX → aluno e criar uma sensação de “tudo no mesmo lugar”.
Entregáveis: nova arquitetura de informação, wireframes de média e alta fidelidade, guidelines de UI, recomendações de comunicação in-app e proposta de roadmap de evolução funcional.
Validação Testes de usabilidade com alunos reais de perfis distintos validaram clareza de navegação, prioridade de funcionalidades, compreensão da linguagem e satisfação geral. Os resultados dos testes determinaram refinamentos finais antes da implementação.
04 · Decisões-chave
1. Começar pela cultura, não pela interface A primeira coisa que propus não foi uma tela — foram workshops internos com desenvolvedores, PO, CX e gestores sobre o que é UX e como ela reduz retrabalho. Essa decisão foi estratégica: sem adesão interna, qualquer redesign seria implementado parcialmente ou abandonado no primeiro ciclo de pressão. O workshop criou aliados antes de criar um produto.
2. Partir de ~40 problemas mapeados, não de tendências Em vez de começar com referências visuais ou benchmarks, o redesign partiu de um diagnóstico rigoroso. Isso garantiu que cada decisão de interface tinha uma justificativa objetiva — fundamental num ambiente onde UX ainda precisava provar seu valor.
3. Incluir testes com usuários daltônicos A acessibilidade de paleta foi testada com usuários daltônicos, o que validou o tempo investido no desenvolvimento de uma paleta de contraste adequada. Isso também gerou um argumento concreto para incluir acessibilidade como critério permanente no processo de design da instituição.

05 · Resultados
Quantitativos:
- 100% de satisfação nos testes de usabilidade realizados com alunos de perfis variados
Qualitativos:
- Abertura para atuação estratégica em todos os produtos digitais da instituição
- Redução de ruído entre alunos e equipe de CX (menos chamados sobre funcionalidades básicas)
- Alinhamento visual entre app, portal e site da instituição — primeira vez com consistência sistêmica
- Times internos engajados com o processo de UX — cultura instalada, não só produto entregue
- Percepção de profissionalismo e confiança elevada entre alunos participantes dos testes
06 · Aprendizados
Cultura vem antes de interface. Em ambientes onde UX é novo, o maior entregável não é o produto, mas a mudança de mentalidade que permite que produtos melhores sejam feitos continuamente.
